quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Bu(r)la

Haveria de ter uma bula que escrutinasse essa tal emoção. Dita de mais antigo remédio da alma, ainda causa, e sem pudor, muita calva. É que de mal ou bem usada (não saberia dizer), parece que a emoção é toda treinada para ora mansa, ora morder.

Precisaria doses (homeopáticas!), passaria por crivos médicos, avisaria os alérgicos do evitar e tabelaria os sintomas colaterias, de modo que ninguém poderia reclamar caduquice, pois saberia que do mesmo onde que vem o amar, vem cortante o matar. Como é que pode, não é?

Bem dizer que evitaria o descaso, como também o vício. Não paga bem tanta aritmética as vezes, e tem gerado muita trovoada a falta do sentir. Ou cortinas de balas e bombas nossas de cada dia são todas justiça e bem fazer? Na mesma medida, o tanto sentir tanto, de muita troça e agonia, que já passa de sentido à heresia, seria evitado, assim, nem que um por dia, lunáticos, nem de alegria.

Fariam bem essas bulas. Poderíamos ter a chance de não precisar odiar para ter na língua o buquê do nosso ódio. E que bem poderíamos aprender o amor, antes de nos fazer de prato inocente dele. Ao menos ter a ciência de onde, por cima ou por baixo, estamos tropeçando. Tropeçaríamos sóbrios.

Aí que vem: se, por demais contra-indicações que a bula descrevesse, ainda insistiríamos em mal-andar, de que vale a verbose médica? No fundo, mesmo perante a bula, cabe muito tropeçar e vale mais a burla (iria isso nos avisos para o consumo correto?). E nem lei nem tropa, parece, daria conta de segurar os dependentes de cair.

Ora, caindo se aprende, é? Bem que poderiam, ainda com o parágrafo rebelde ditado, um pouco nos treinar, nos avisar de algum modo crível (pois nenhum até então o foi). Evitaria tantos junkies, porque essa droga, bem que faça, tem tudo de tarja preta. Mas não parece haver outro ritmo que o de até então: total legalize.

Boa sorte.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Fermento


Há algum tempo li Watchmen e muito me veio a mente o que escrever. Do texto às cores, da narrativa ao subtexto, é história em quadrinhos toda carregada de muita poesia, muito em que pensar. Saturado disso tudo, pensei em escrever, precisava exteriorizar o que tinha pensado ali. Daí veio a idéia de um blog. Um bom tempo passou, e nada dele. Associado ao saudosismo de um antigo blog no qual escrevi, veio e foi um bom tempo até me convencer em criar um. Hoje, com um necessário empurrão requisitado, vá lá, um blog.

Um bom tempo antes de começar me perseguiu a idéia de, oras, sobre o que eu iria escrever? Política? Comida? Entretenimento? Pensamentos aleatórios? Literatura? Arte? Engenharia? Você? Tudo isso me soava bem legal, em momentos diferentes, para fazer um blog tão somente do tema. Acabou que eu não me decidi por nenhum dos temas. Vou tentar todos eles.

E aí veio o título. Mas QUAL? Acabei pensando em alguma coisa, chique, bonita, daquelas de impressionar, que cairiam bem ao blog. Não vindo nada decente, lembrei de que o povo, não diferente eu, gosta de pão e circo. Aí, chamando os romanos, os Mutantes e trigo para darem uma ajudinha, vieram arcaicismo, latim e cacófonos. Aí, na vontade de evitar bobagens, veio a "tradução".

Panis et circenses. Panis et al. (Afinal, circo é muita coisa para um mero título.) Pão e tal. Vá lá, temos dados alarmantes do quanto falta de pão no mundo todo. Pão é uma questão crucial. Foi o pão que nos ensinaram que era para dividir. É pão que o diabo amassa. É pão com água o mínimo. Além do que, o pão pode ser usado, do trigo ao forno, como muita metáfora. Além de tudo isso, pão é comida, e pode estar ruim ou bom. Tem engenharia no pão. Tem política. Tem todas aquelas coisas mais que eu falei ali em cima, até você! E, para o que não cabe no pão, "e tal". Porque, eu aposto, que se alguma coisa não está englobada no pão, acha-se alguma relação da coisa com pão. É!, tomara que faça sentido!

Daí, se não fizer sentido, eu passo o tempo neste blog tentando achar um sentido. Tentando unir pão e tal. Ou tentar separar pão e tal. E, como não sei começar um blog melhor do que com metalinguagem, fica feito. Espero que isso dê algum interesse para alguém você voltar aqui e ler o post seguinte. Semana que vem, e tal.